segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Pedro Abrunhosa: Das trevas à LUZ


Uma bateria toca num armazém sombrio, um som mais claro e perto propaga-se ecoando no ar, são ondas constantes que vão e vêem, acompanhando a distante bateria. Uma guitarra canta, é cada vez mais intenso o seu rugir. Há algo de celestial no ar. Dou alguns paços... absorvido penso ouvir alguém cantar, mas não há lá ninguém. Só vejo a bateria. Todo o resto se apaga, não há lá ninguém. só a bateria, sozinha, naquele escuro e putrefacto armazém!
E assim ouvi LUZ, o ultimo tema do álbum homónimo.

Pedro Abrunhosa mostra mais uma vez que a musica nacional está em alta. Mostra não ser fácil de tragar lírica e musicalmente; apresentando um álbum-critica ao nosso país, com o ecletismo típico dos seus discos.
Aqui fica uma passagem breve por cada tema e os parabéns por um disco, que apesar de ter altos e baixos, é um bom disco de música portuguesa.

Tenho uma arma – um tema carregado de sopros, armas letais contra a preguiça: neste primeiro tema do álbum o pé já bate acompanhando a lírica forte que Pedro imiscui á abertura de LUZ.

A Dor do Dinheiro – A letra é Pedro Abrunhosa! Consistente, de quem conhece bem a nossa língua. Mas a musica, sai a mais fragilizada do álbum, num arranjo quase previsível, pouco emocionante para quem acompanhe a sua carreira há algum tempo.

Ilumina-me – Pode parecer um pouco naïf a letra ou até mesmo lembrar o passado álbum Momento, mas na verdade há uma textura reinventada e uma frescura lírica, com certeza resultado de experiências em Momento: uma balada cheia de luz e de pequenas surpresas. Aqui toda a mística do álbum fica apresentada, daqui em diante é explorá-la.

Balada de Gisberta – A apresentação de uma personagem desta viagem pela luz, num álbum sobre as sombras que nos mostram o quão longe estamos dela. Um arranjo muito especial acaba num apogeu de vozes claras que cantam «o amor é tão longe!» em sonoridades gospel.

Dealer e Dilema – À quarta faixa do álbum temos a prova de como Abrunhosa se inspira no que está á sua volta. E seu comentário é:
«Ai pais, pais, é uma problema: vive entre o dealer e o dilema, entre a sesta e o sistema!»

É sempre tarde de mais – Abrunhosa apresenta-nos mais uma balada, esta ao estilo Nick Cave! Onde se acentua cada limite trágico das palavras, criando ambientes de muita emoção: e muito bem! Mas atenção: é o Senhor a Invicta quem a canta!

Quem me Leva os meus fantasmas – É o single obvio. É a musica mais próxima do último trabalho de Pedro Abrunhosa, Momento. É uma ponte para o seu trabalho anterior! Depois de ouvir este tema poderíamos ouvir lua, ou até mesmo eu não sei quem te perdeu.

A Cada Não que dizes – Abrunhosa revela-nos uma música psicológica, neurótica num ambiente de trevas, com uma letra arrancada do comum mundo dos mortais, aberta num refrão claro, mais uma vez a luz e a escuridão num conflito directo. Fico no entanto com a sensação de que o refrão nos desloca demais, e deixa-nos até um pouco desiludidos.

O Dia depois de hoje – Banal não será o termo! talvez pouco surpreendente... para de quem falamos. Um tema que eu classificaria como «normal», isto é, potencial single: chega com certeza ás massas mas, no entanto, não corresponde ao conteúdo original que este álbum mostra.
Lobo no Luar – Traz de volta o espírito do início do álbum; de Viagens talvez. Dançável! Sem duvida. Com um efeito ordinário na voz e guitarras rasgadas Lobo no luar é o espírito James Brown a vir ao decima!

Pontes entre nós – A preparação psicológica para o próximo e tema de clausura deste álbum! A ponte das trevas para LUZ.

Alinhamento de LUZ:
1. Tenho uma arma
2. A Dor do Dinheiro
3. Ilumina-me
4. Balada de Gisberta
5. Dealer e Dilema
6. É sempre tarde de mais
7. Quem me Leva os meus fantasmas
8. A Cada Não que dizes
9. O Dia depois de hoje
10. Lobo no Luar
11. Pontes entre nós
12. LUZ

Pedro Abrunhosa (Piano, voz) +
Bandemónio: Cláudio Souto (teclas), Edgar caramelo (saxofone), João André (contrabaixo), Marco Nunes (guitarra), Pedro Martins (bateria)

http://www.abrunhosa.oninet.pt/

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