sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Tempo para tomar posições ...



Depois da estreia do Album Dead 60s em 2004 a banda de Liverpool volta à carga passados 3 anos com o single Stand Up, levantando assim a ponta do véu para o que poderá prespectivar a estreia do novíssimo Time To Take Sides que verá a luz do dia apenas em Janeiro de 2008, juntamente com o 2º single Start A War.
Dead 60s é sem qualquer duvida um grande disco deste ínicio de século por variadas razões, mas também porque fez renascer um universo de canções há muito esquecidas, quer pela sua musicalidade, quer pelas letras fáceis de perceber. A sonoridade punk rock / dub / ska e por vezes reggae tranporta-nos para ambientes completamente distintos, sendo mais visivel em momentos como Riot Radio , Control This , Red Light ou ainda Just Another Love Song.
Embora sejam fortememente comparados aos Clash ou até aos Specials, com influências em projectos como Gang of Four e King Tubby, o quarteto "scouser" apadrinhado pelo seu manager Shifty Ryder passou por variadas experiências, quando andou em digressão com os Green Day em 2002 sob o nome de Pinhole (bem antes de serem Dead 60's), tendo iclusive gravado com John Peel no lendário estúdio Maida Vale.
Contráriamente ao primeiro disco que foi totalmente concebido e gravado em Liverpool , Time To Take Sides, foi inteiramente preparado e gravado na terra do Tio Sam, mais concretamente em Nova York nos estúdios "Noise Studio" com a produção the David Khane que já tinha produzido os New Order, Regina Spektor, Fishbone e The Strokes. Os tempos são de mudança e o que transparece do single Stand Up é que o novo disco dos Dead 60s é uma viragem da banda para um ambiente mais de guitarras. Será tempo para se tomar novas posições ???

Os Dead 60's: Matt McManamon (Voz / Guitarras); Ben Gordon (Guitarras / Teclados); Chalie Turner (Baixo / Voz); Bryan Johnson (Bateria)


Discografia

Albums:

The Dead 60s

EPs

Breaking Hearts & Windows
So Over you / Morning Rain

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Pedro Abrunhosa: Das trevas à LUZ


Uma bateria toca num armazém sombrio, um som mais claro e perto propaga-se ecoando no ar, são ondas constantes que vão e vêem, acompanhando a distante bateria. Uma guitarra canta, é cada vez mais intenso o seu rugir. Há algo de celestial no ar. Dou alguns paços... absorvido penso ouvir alguém cantar, mas não há lá ninguém. Só vejo a bateria. Todo o resto se apaga, não há lá ninguém. só a bateria, sozinha, naquele escuro e putrefacto armazém!
E assim ouvi LUZ, o ultimo tema do álbum homónimo.

Pedro Abrunhosa mostra mais uma vez que a musica nacional está em alta. Mostra não ser fácil de tragar lírica e musicalmente; apresentando um álbum-critica ao nosso país, com o ecletismo típico dos seus discos.
Aqui fica uma passagem breve por cada tema e os parabéns por um disco, que apesar de ter altos e baixos, é um bom disco de música portuguesa.

Tenho uma arma – um tema carregado de sopros, armas letais contra a preguiça: neste primeiro tema do álbum o pé já bate acompanhando a lírica forte que Pedro imiscui á abertura de LUZ.

A Dor do Dinheiro – A letra é Pedro Abrunhosa! Consistente, de quem conhece bem a nossa língua. Mas a musica, sai a mais fragilizada do álbum, num arranjo quase previsível, pouco emocionante para quem acompanhe a sua carreira há algum tempo.

Ilumina-me – Pode parecer um pouco naïf a letra ou até mesmo lembrar o passado álbum Momento, mas na verdade há uma textura reinventada e uma frescura lírica, com certeza resultado de experiências em Momento: uma balada cheia de luz e de pequenas surpresas. Aqui toda a mística do álbum fica apresentada, daqui em diante é explorá-la.

Balada de Gisberta – A apresentação de uma personagem desta viagem pela luz, num álbum sobre as sombras que nos mostram o quão longe estamos dela. Um arranjo muito especial acaba num apogeu de vozes claras que cantam «o amor é tão longe!» em sonoridades gospel.

Dealer e Dilema – À quarta faixa do álbum temos a prova de como Abrunhosa se inspira no que está á sua volta. E seu comentário é:
«Ai pais, pais, é uma problema: vive entre o dealer e o dilema, entre a sesta e o sistema!»

É sempre tarde de mais – Abrunhosa apresenta-nos mais uma balada, esta ao estilo Nick Cave! Onde se acentua cada limite trágico das palavras, criando ambientes de muita emoção: e muito bem! Mas atenção: é o Senhor a Invicta quem a canta!

Quem me Leva os meus fantasmas – É o single obvio. É a musica mais próxima do último trabalho de Pedro Abrunhosa, Momento. É uma ponte para o seu trabalho anterior! Depois de ouvir este tema poderíamos ouvir lua, ou até mesmo eu não sei quem te perdeu.

A Cada Não que dizes – Abrunhosa revela-nos uma música psicológica, neurótica num ambiente de trevas, com uma letra arrancada do comum mundo dos mortais, aberta num refrão claro, mais uma vez a luz e a escuridão num conflito directo. Fico no entanto com a sensação de que o refrão nos desloca demais, e deixa-nos até um pouco desiludidos.

O Dia depois de hoje – Banal não será o termo! talvez pouco surpreendente... para de quem falamos. Um tema que eu classificaria como «normal», isto é, potencial single: chega com certeza ás massas mas, no entanto, não corresponde ao conteúdo original que este álbum mostra.
Lobo no Luar – Traz de volta o espírito do início do álbum; de Viagens talvez. Dançável! Sem duvida. Com um efeito ordinário na voz e guitarras rasgadas Lobo no luar é o espírito James Brown a vir ao decima!

Pontes entre nós – A preparação psicológica para o próximo e tema de clausura deste álbum! A ponte das trevas para LUZ.

Alinhamento de LUZ:
1. Tenho uma arma
2. A Dor do Dinheiro
3. Ilumina-me
4. Balada de Gisberta
5. Dealer e Dilema
6. É sempre tarde de mais
7. Quem me Leva os meus fantasmas
8. A Cada Não que dizes
9. O Dia depois de hoje
10. Lobo no Luar
11. Pontes entre nós
12. LUZ

Pedro Abrunhosa (Piano, voz) +
Bandemónio: Cláudio Souto (teclas), Edgar caramelo (saxofone), João André (contrabaixo), Marco Nunes (guitarra), Pedro Martins (bateria)

http://www.abrunhosa.oninet.pt/

domingo, 2 de setembro de 2007

(Algumas) Fotos do SBSR07

X-Wife

T.V on The Radio
Scissor Sisters

Mundo Cão

Maxïmo Park


Linda Martini
Jesus And Mary Chain

Interpol

The Gossip

sábado, 1 de setembro de 2007

SUPER BOCK-SUPER ROCK: Resumo Alargado (e atrasado...)

Super Bock Super Rock - 13ª Edição Act II
A noite dos Uuuuus

O segundo acto da edição nº 13 do Super Bock Super Rock teve o seu inicio com os portugueses Bunnyranch, numa tarde de vento que não fez temer os cerca de 1500 fans no apoio caloroso ao blues-rock da banda de Kaló. A prestação dos Bunny foi suficientemente positiva para um género musical ainda não muito apreciado em Portugal.
Já com a plateia mais composta, subiram ao palco os Gift para um concerto desastroso, onde faltou claramente a dinâmica necessária para uma actuação de conceito festivaleiro. Os Gift , são sem qualquer dúvida, uma formação de concertos intimistas, em salas e não ao ar livre: Fácil de entender!
A primeira surpresa desta edição do Super Bock veio dos Londrinos Magic Numbers, com canções assentes numa secção ritmica muito bem trabalhada, onde cai como uma luva, as vozes dos quatro membros: Romeo, Angela, Sean e Michele. Tocaram quase tudo o que podiam, mas ficou a ideia que de facto, o regresso ao nosso país é imperioso, porque apetece ouvir novamente This is just a song , Take a chance ou Undecided do seu disco Those the Brokes. Todos ou quase todos, esperavam certamente pela actuação dos Klaxons , também eles, Londrinos e de facto os seus créditos não caíram em mãos alheias. A expectativa do público era elevada e aos primeiros acordes de As above , so below foi notório a agitação na plateia , o que obrigatóriamente fez tranportar para o palco essa energia que os Klaxons necessitavam para arrancar um grande concerto. Jamie Reynolds agradeceu e retribui com um leque de grandes canções punk-rock dançável do disco Myths of the near future, Magick, Gravity's rainbow e it's not over yet , dava a entender , a julgar pela palmas e gritos vindos do público, que ainda faltava mais alguma coisa. Começava assim a noite dos " Uuuuus " , quando os Klaxons tocaram Golden Skans.
Já tinham estado entre nós e talvez por isso a ansiedade não era muita para ver e ouvir Bloc Party , a não ser pela simples razão de que os rapazes são bons , têm excelentes canções e quiseram demonstrar isso mesmo com uma POP Massive, visivel em The prayer, Waiting for the 7.18 ou até no já mítico Helicopter. Fizeram o trabalho de casa e a recompensa foi óbvia com o direito a encore. Venham mais vezes!!!
Por fim e com um concerto fantástico, os canadianos Arcade Fire, increveram o seu nome nesta primeira noite do acto segundo do Festival, como um dos melhores momentos. A banda de Montreal fez jus ao crescento culto que goza em Portugal e arrancou para uma actuação vibrante e envolvente perante cerca de 20.000 mil pessoas. O seu rock-folk-orquestra contagiou todos os que esperavam por ela e isso aconteceu logo no ínicio da sua prestação com o empolgante Black mirror passando pelo delicado travo folk de Ocean of noise sem deixar para trás um tema de dimensões épicas e até mesmo arrepiante Intervention.



A noite fora de mão

A segunda noite do acto II teve um reajustamento nos horários devido ao momento de crise provocado pela ausência dos Rapture. Segundo se soube, um problema de saúde de um dos músicos da banda levou ao cancelamento da sua actuação. Foi pena, pois teria sido bastante interessante vê-los em acção. Problemas à parte e sem ter nada a ver com a crise provocada pela ausência já falada, subiram ao palco os mundo Cão. O projecto reúne elementos dos Mão Morta e ainda o actor Pedro Laginha, que muito tem surpreendido pela sua performance. Os que lá estiveram e infelizmente foram poucos, não mais que 1000???, puderam assistir a um desenrolar vertiginoso de canções fortes, preenchidas nas palavras dos textos do Adolfo e das guitarras religiosamente roqueiras. O caixão da razão, Andarilho do desejo e Morfina fizeram querer aos «resistentes» que valeu a pena. Logo a seguir foi vez dos Linda Martini servirem o público com Olhos de Mongol . Com muito músculo e atitude, a actuação dos Linda, saldou-se positiva ainda para mais com um conjunto de canções cantadas em português , avaliadas em O amor é não haver polícia ou Malha coração.
A fraca afluência de público neste segundo " round " do Act II provocou um divórcio com o palco. As pessoas que lá foram preferiam o repasto dos comes e bebes ou uma boa conversa e de facto os Clap Your Hands Say Yeah não conseguiram demover quem estava mais lá para a zona das tasquinhas e das diversões que a organização colocou à disposição. Some Loud Thunder foi o disco que a banda de Brooklyn - Philadelphia trouxe ao festival e nem temas como Satain said dance , Underwater ou Love song nº 7 conquistaram a fraca multidão. Razões para dizer: Clap your hands say yeah ... ou não !
Não se pense que a noite foi de cortar à faca. Os Maximo Park deram um belo concerto, a fazer lembrar a sua passagem pelo festival Sudoeste na edição de 2005. Na bagagem vieram de Newcastle , musicas de A Certain Trigger e do recente Our Earthly Pleasures que presentearam o público; sempre com Paul Smith irrequieto a tranpirar simpatia, uma espécie de um novo Jagger contagiando facilmente a plateia.
É a penúltima noite do festival Super Bock e quando os Escoceses, Jesus And Mary Chain surgem no palco estão cerca de 20.000 pessoas à espera dos irmãos Reid. Jim e William foram à quase 20 anos atrás figuras idolatradas da musica. Recordo-me do brilhante concerto no pavilhão do Belenenses aquando da tourneé de Darklands. É obvio que os Jesus já não têm a mesma atitude de outrora e foi fácil perceber que foram muitos os que não perceberam o porquê da sua passagem pela 13ª edição do Super Bock Super Rock. No entanto quero dizer que conseguiram juntar muita gente em seu redor com canções épicas como Never Understand, In a hole, Happy when it rains e o sempre apetecido Sidewalking. Não revoltearam os tímpanos nem a alma, mas aqueceram o coração de quem os viu e ouviu numa noite fora de mão.
Logo de imediato e para acabar a noite e consequentemente o terceiro dia do festival, os LCD Soundsystem, protagonizaram uma atmosfera ácida no certame, levando ao delírio os muitos que esperavam por Murphy e companhia. Num palco completamente despido de adereços descarregaram um punk-rock house extremamente efervescente e físico. Todos saíram satisfeitos num concerto que terminou num encore dos LCD com um registo Crooner.


A noite da Rosa

Os portugueses Micro Audio Waves apresentaram uma atitude sóbria para a grande exigência de tocarem num horário tão madrugador e com a desvantagem de praticamente terem sido , eles , a abrirem as hostilidades para o concerto mais esperado de todos desta 13ª edição do Super Bock ; os Interpol. Odd size babbage é um disco equilibrado e a sonoridade que debita foi reflexo no abanar do público, pena foi que tenham actuado tão cedo. Fica a crítica à organização.
Subiu depois ao palco outra banda lusa. Os X-Wife, que com uma atitude mais próxima do POP, mostraram ter um culto considerável, a ver pelos adeptos das suas canções apresentadas nuns muito curtos 40 minutos. Exigia-se mais tempo em palco, para quem tem em carteira 2 bons registos, mas em Portugal o que é bom não é nacional. Outra chamada de atenção à organização.
Return to Cookie Mountain foi o disco que os TV On The Radio mostraram ao Super Bock e confesso que apenas cumpriram a sua missão. O som não estava bom, no entanto a banda de Nova Iorque não defraudou as expectativas com a sua sonoridade free-jazz; trip-hop ou até mesmo electrónica.
Ainda durante o reinado do Deus SOL subiram ao palco a agitadora Beth Ditto e companhia. Os Gossip com um punk-rock do melhor, suportado apenas em três elementos: Beth, Brace e Kathy tocaram e encantaram uma plateia sedenta em ouvi-los. Alternando a guitarra com o baixo brilhantemente combinados com a bateria e a voz, os Gossip, protagonizaram um dos grandes momentos deste certame. O trio de Arkansas , Estados Unidos não saiu do palco sem antes Beth Ditto ter semeado sorrisos , quando afirmou que a única palavra que sabia em português era BUNDA. Esperemos que voltem ... e depressa !
Os Scissor Sisters, por seu turno, também não tiveram grandes complicações em disseminar o espírito de folia pelo recinto fora. A banda actuou à frente de uma tela enorme que exibia uma tesoura a espacejar a zona entre dois avultados seios que quase se soltavam de um biquini vermelho. Em cerca de uma hora, debitaram uma pop superficialmente glam aromatizada num disco-sound reluzente. A fórmula afigurou-se certeira a ver pela assistência que não se cansou de pular e dançar.
Depois chegou o momento da noite. Não querendo menosprezar outros nomes do cartaz, os Interpol foram os vencedores desta edição do Super Bock. Encantaram e reencantaram toda aquela gente que lá estava. Os Interpol deram uma grande lição de como se está em palco , de como se contorna toda esta formula do conceito festivaleiro. A actuação dos Norte Americanos foi do melhor que já se viu em Portugal no que toca à pop independente. O desfilar de canções como Untitled, Hands Away , Obstacle 1 ou Evil fizeram querer que a noite foi da rosa , mas serviu também, para dilatar o apetite para o concerto único no Coliseu dos Recreios em Lisboa, no próximo dia 7 de Novembro e que contará com as canções do novo disco. A edição deste ano do festival Super Rock terminou perto das duas da madrugada de sexta-feira com a colheita electrónica dos Underworld. Para o ano temos mais.



O Primeiro ACTO do SBSR2007 não tem resumo porque não conseguimos, pelos diversos motivos, estar presentes.